A árvore de natal

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A árvore de natal

Umas das coisas que sempre amei foi enfeitar árvores de Natal.  Esperava ansiosamente pelo dia de abrir as caixas de enfeites e preparar a escolhida com todo o cuidado. Já fiz ela de só de galhos de árvores, já tive pequenas, já cobicei, quando criança, aquelas com luzinhas na ponta, já quebrei as bolas quando elas ainda eram de vidro, já fiz ela só de bombons, já fiz enfeites, biscoitos para pendurar.

No dia em que meus pais compraram uma mais alta que eu, transbordei de alegria e orgulho. Ela ficava linda e majestosa no meio da nossa singela sala. Na minha memória junto com aquela grande árvore vieram os grandes encontros da minha família paterna, encontros que não eram possíveis antes porque quase todos viviam longe em terras lusitanas.

Por muitos anos aquela árvore presenciou uma sala cheia de alegria, crianças ansiosas para abrir seus presentes e adultos curiosos para saber o que iriam ganhar de seu amigo invisível, as vezes quase inimigo de tão ruim que era o presente. Mesmo assim era uma festa e no final tudo virava piada da família Oliveira.

Parei de enfeita-la quando fui morar fora e aos poucos outras árvores vieram como marcos na minha vida, marcos de alegria e renovo. Uma delas foi um pinheirinho todo decorado com enfeites escolhidos pela minha família de amigos, numa época de incertezas na minha vida. Todos vieram para me ajudar a me reconstruir e trouxeram de presente o carinho e atenção através de uma lembrança para minha árvore. Foi tão importante para mim que até hoje, todos aqueles enfeites têm espaço especial em outra árvore da minha história, a árvore da minha família, a árvore que eu e meu marido escolhemos juntos e que agora é a árvore da minha filha.

Não gosto de dar ênfase ao contexto comercial, mas acredito que podemos tirar a essência destes rituais e símbolos. Pode ser que sua história não possa ser contada pelas árvores, talvez por outros símbolos, ou até por memórias gustativas. O que importa é encontrar uma forma de registrar momentos no seu inconsciente para que você possa trazer a memória o que realmente importa, que no meu caso não eram as árvores, e sim os momentos de felicidade ao redor dela, e o quanto naqueles momentos o que prevalecia eram os valores que precisam ser evidenciados nesta época, o amor, a família.

Não sei quais serão os registros que a Helena guardará e poderá acessar algum dia, mas vou continuar tentando costurar lindas memórias com ela, para que ela também tenha boas histórias para contar.

#costurandomemorias #arvoredenatal #feliznatal #amor #família

Tabta Rosa
Tabta Rosa
Tabta Rosa, designer de formação, estilista por definição da vida profissional. Hoje tenta equilibrar os papéis de esposa do Du, mãe da Helena e ser empreendedora. Está diante de um novo desafio: trabalhar com propósito criando produtos e serviços com o objetivo de levar muito mais que funcionalidade, mas essência e impacto positivo nas pessoas. É romântica e sonhadora e acredita que o mundo será bem melhor se cuidarmos das nossas crianças.

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