Ser mãe, ser empreendedora

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Ser mãe, ser empreendedora

Nunca imaginei quão difícil seria equilibrar estas duas tarefas. Não imaginava o quanto a maternidade poderia sugar nossas energias e quão difícil era colocar uma ideia para além dos planos e dos papeis. Fazer estas duas tarefas em meio a uma profusão de dúvidas e medos é o exercício diário de mais de 5 milhões de brasileiras, sendo que desta parcela quase 60% trabalham em casa e ainda realizam as atividades domésticas. Respira fundo!  É muita coisa para lidar.

Escrevo este texto em meio a um banho e a gritos de mãeeee… paro o raciocínio para poder dar a atenção a um dos motivos de eu estar nesta situação. Minha pequena filha Helena. Estar com ela foi uma escolha, acompanhar mais de perto sua evolução não tem preço. Ainda não tenho motivos para dizer que me arrependo, e tenho a certeza no meu coração de que nunca me arrependerei. Nestes últimos dias o volume de trabalho aumentou, as horas separadas para me dedicar ao negócio não eram suficientes para darmos início a fase mais importante do nosso projeto, o lançamento dos produtos e serviços. Em meio a isso, Helena percebeu que eu estava encurtando nossos momentos de brincadeiras e começou a relutar quando eu dizia que precisava trabalhar. Foi difícil, comecei a me cobrar se deveria estar trabalhando, mas respirei fundo e segui adiante, eu estava ali! O pai dela estava ali, ela não tinha minha atenção, mas ela tinha opções e perspectivas, enquanto que se eu tivesse a rotina da minha antiga carreira não teríamos opções. Eu chegaria a noite, ela já estaria cansada e mudaríamos seu relógio natural para termos um tempo juntas.

Mesmo com um maior volume de trabalho, ainda sim temos opções e fico grata por isso.

Levo ela na escola. Trabalho um pouco.

Pego ela na escola e planejamos nossa semana.

Hoje é dia de escolher as frutas. Amanhã de ir na vovó.

Vou a um fornecedor ou outro, marco reuniões que ela possa participar.

Faço algumas ligações. Brincamos

Vamos ao parque se o clima deixar.

Deixo ela assistir Luna para poder fazer o jantar.

Conversamos, brincamos de massinha, esperamos o papai chegar.

Depois vem o banho, a história e a hora de dormir. Não deu tempo de fazer tudo que ela queria, mas deu tempo de observar ela crescer.

O dia ainda não acabou, ajudo o marido a ajeitar a casa, converso com ele sobre seu dia e se sobrar energia, será que dá para trabalhar mais um pouquinho?

Assim os dias passam por aqui. Um cansaço difícil de explicar, muito maior do que tinha quando trabalhava em empresas. Lá a roda girava e eu precisava acompanhar. Aqui a roda só gira se eu a fizer girar. Então as vezes ela gira mais devagar do que eu preciso, mas no tempo certo para que eu possa ver o mundo girar. Coisa que quando estamos dentro de uma rotina linear acabamos deixando de observar.

O Costurando memórias não quer só contar a minha experiência, mas sim a de muitas mães e pais que empreendem e dividem este tempo com seus filhos e suas casas. Pessoas que encontram caminhos para estarem mais presentes e ainda sim trazerem sustento para suas famílias.

Estamos iniciando uma nova fase do nosso projeto. O lançamento de produtos e serviços para dar sustentabilidade ao portal Costurando Memórias.

Tabta Rosa
Tabta Rosa

Tabta Rosa, designer de formação, estilista por definição da vida profissional. Hoje tenta equilibrar os papéis de esposa do Du, mãe da Helena e ser empreendedora. Está diante de um novo desafio: trabalhar com propósito criando produtos e serviços com o objetivo de levar muito mais que funcionalidade, mas essência e impacto positivo nas pessoas. É romântica e sonhadora e acredita que o mundo será bem melhor se cuidarmos das nossas crianças.